A cidade italiana de Milão, uma das principais capitais mundiais da moda, tem um projeto que tem dado a refugiados a chance de se formar como costureiros e até de trabalhar para grifes famosas.
A Sartoria Sociale (Alfaiataria Social, em português) foi criada em Milão com o objetivo de inserir no mercado de trabalho exilados que já tinham experiência com costura em seus países de origem. A iniciativa deu certo, e alguns dos atendidos hoje produzem roupas para marcas como Dolce & Gabbana e Jil Sander, que desfilam nesta semana na Fashion Week de Milão, um dos eventos mais glamorosos da moda mundial. Nos últimos três anos, cerca de 15 refugiados que passaram pelo projeto conseguiram emprego na indústria italiana da moda, um bom resultado considerando-se a crise econômica em curso no país e a difícil adaptação dos imigrantes ao país.
Sob medida
Um dos casos de sucesso é o uma refugiada que, por temer ser estigmatizada, falou com a BBC Brasil sob condição de anonimato. Ela trabalha em uma das seções que mais requerem talento na badalada grife Dolce & Gabbana: a que produz ternos sob medida. “É muito duro se adaptar. Tem que ter muita perseverança”, disse a mulher, que teve que fugir dos Camarões, país na África Central, por motivos políticos. Ela, que trabalha sob um contrato temporário, afirma esperar poder continuar na empresa depois desse período. “Só talento não basta. Precisamos também entender como funciona o ambiente de trabalho no país. Nisso a Alfaiataria Social ajuda bastante”, disse a refugiada sobre o projeto. Boa parte dos asilados que conseguiram emprego após passar pela iniciativa estão trabalhando em empresas que produzem roupas para grandes grifes, disse à BBC Brasil a assistente social Consuelo Granda, que chefia o projeto, financiado por uma instituição de caridade e pela Prefeitura de Milão. O processo de adaptação não é fácil. “Muitos deles chegam traumatizados e precisam de apoio psicológico”, disse a italiana. “Tivemos pessoas que escaparam por pouco de atentados a bomba”, conta. A maioria dos candidatos ao curso preparatório é homem e vem de locais como Afeganistão, Irã, Somália, Gâmbia ou Senegal. “Muitos desses países têm uma forte tradição na confecção de roupas e tecidos”, diz Consuelo.
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