O dólar opera com instabilidade nesta sexta-feira (25), após ser cotado abaixo de R$ 3,90. Minutos após a abertura dos mercados, os Estados Unidos anunciaram que o PIB do segundo trimestre subiu mais do que o previsto anteriormente: 3,9%. Os números podem ter influenciado o humor dos investidores. A cotação da moeda acompanha mais um dia de nervosismo com a "queda de braço" entre o Banco Central e o mercado, embalada pelas preocupações com a economia e a política doméstica e pelas várias intervenções realizadas pelo BC. Às 16h10, a moeda norte-americana caía 0,54%, a R$ 3,9698. O BC realizou nesta sessão leilão de venda de até 1 bilhão de dólares e dois leilões de novos swaps cambiais, vendendo em cada um a oferta total de até 20 mil contratos, equivalentes a venda futura de dólares. Dessas três intervenções, duas foram anunciadas após o fechamento dos negócios na sessão passada. Mas o BC também anunciou um dos leilões de swap na manhã desta sexta, logo após o dólar atingir a máxima do dia. No fim da manhã, o BC também deu continuidade à rolagem dos swaps que vencem em outubro, vendendo a oferta total de até 9,45 mil contratos. Com isso, já rolou ao todo o equivalente a 8,064 bilhões de dólares, ou cerca de 85% do lote total, equivalente a US$ 9,458 bilhões. A atuação do BC se sobrepunha completamente ao cenárioexterno, onde a perspectiva de que os juros devem subir ainda neste ano nos Estados Unidos elevava o dólar em relação a uma cesta de divisas. Essa perspectiva foi reforçada nesta manhã por declarações da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, e pelos dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre.
Análise
"O mercado peita e o BC responde, e isso se repete. A volatilidade está muito alta, não dá trégua", disse à Reuters o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato. Questionado sobre a possibilidade de usar as reservas internacionais para intervir no câmbio, Tombini afirmou na véspera que "todos os instrumentos estão à disposição do BC". A declaração desencadeou forte ajuste na taxa de câmbio, corroborado perto do fim da sessão pelo anúncio de um programa de venda e compra de títulos públicos pelo Tesouro Nacional. O operador avaliou que a estratégia do governo é deixar claro que "se o mercado quer comprar, ele está lá para vender" e corrigir desequilíbrios no mercado.
Véspera
Na quinta, o dólar caiu 3,73%, a R$ 3,9914. Na máxima da sessão, chegou a saltar para R$ 4,2491, segundo a Reuters. A moeda deixou o patamar de R$ 4 no qual permaneceu por dois dias. Foi a maior queda diária desde 2008. Na semana e no mês, o dólar acumula alta de 0,84% e 10,04%, respectivamente. No ano, há valorização de 50,13%. A moeda perdeu força e passou a cair depois de declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, que sugeriu que poderão ser feitos leilões de dólares no mercado à vista. No fim da sessão, o bom humor ganhou mais um impulso com o anúncio de um programa de leilões diários de venda e compra de títulos pelo Tesouro Nacional, em meio a forte volatilidade nos juros futuros. Questionado sobre o possível uso das reservas internacionais no câmbio, Tombini disse que "todos os instrumentos à disposição do Banco Central estão no raio de ação caso seja necessário à frente". Operadores relutavam em estimar até que ponto o dólar deve subir, mas é unânime a percepção de que deve continuar pressionada. O dólar subiu nos cinco dias anteriores, acumulando alta de 8,14%. A moeda norte-americana tem sido pressionada pela deterioração das contas públicas do Brasil e pelas turbulências políticas. Investidores temem que o país perca seu selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's. Recordes O dólar ultrapassou a cotação de R$ 4 pela primeira vez na história esta semana, por preocupações com o ajuste fiscal no Brasil e com a possibilidade do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevar a taxa de juros do país. Se isso acontecer, os EUA se tornam mais atrativos aos investimentos, e pode haver uma forte saída de dólares do Brasil – seguindo o princípio da oferta e da procura, quanto menos dólares à disposição, mais caros eles ficam. G1
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