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22 de julho de 2015

Moro dá dois dias para defesa explicar anotações em celular de Odebrecht

O juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava-Jato na Justiça Federal do Paraná, deu dois dias para advogados da Odebrecht explicarem anotações encontradas no celular do presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, apreendido em 19 de junho, quando ele foi preso. A Polícia Federal produziu um relatório apontando que os textos fazem referência às investigações da Lava-Jato, mostram preocupação com o envolvimento de executivos do grupo na investigação, indicam estratégias da empreiteira e citam políticos. Boa parte das informações, porém, ainda não foi decifrada pela PF.
O juiz Moro escreveu, no despacho desta terça-feira, que todas as anotações estão “sujeitas a interpretação”, mas classifica como “perturbador” um trecho que faria referência a uma tentativa de atrapalhar as investigações. Em um arquivo sem data, o empresário escreveu “trabalhar para parar/anular (dissidentes PF)”. A Odebrecht informou que os advogados do grupo vão responder ao juiz dentro do prazo legal e criticou “a intenção de atribuir ao diretor-presidente da holding pretensas intenções extraídas de raciocínios especulativos”.
A leitura da transcrição das anotações de Marcelo revela que a palavra “swiss” aparece com frequência, no que pode se referir à Suíça. Em um tópico sem data com o título “Delação/fallback (RA)”, ele escreveu: “Afinal o que tem contra RA e MF? Risco Swiss? E EUA?" Para os investigadores, as siglas RA e MF são as iniciais de dois executivos da Odebrecht também investigados pela Lava-Jato: Rogério Araújo e Márcio Faria. Nas anotações, Marcelo diz para “não movimentar nada e reimbolsaremos tudo e asseguraremos a familia (sic). Vamos segurar até o fim. Higienizar apetrechos MF e RA.” Os agentes federais interpretaram a primeira frase como “clara intenção de Marcelo em proteger” os executivos, orientando eles a não mexer em contas no exterior. Eles concluíram que “higienizar” pode ser uma forma de pedir para apagar arquivos dos equipamentos eletrônicos dos dois funcionários.
Além da preocupação com os executivos, os textos de Marcelo mostram cuidado com a repercussão das investigações da Lava-Jato em financiamentos internacionais. Ele escreveu: “Cair em uma lista negra do Banco Mundial tem implicações gravíssimas e consequências amplas no sistema financeiro”.
O despacho de Moro não pede esclarecimentos sobre os 17 políticos ou autoridades de vários partidos cujos nomes ou iniciais aparecem nas anotações de Marcelo. Segundo o relatório, não há nenhum indício que ligue esses nomes a atividades ilícitas.

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